quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Julgamento. Palavrinha fácil de ser escrita segundo as normas do português, mas que pode causar bastante impacto em nossas vidas. Porque disso?
Final de semana passado estava lendo alguns textos de um amigo (Vinicius N.) e ajudando uma amiga (Ingrid B.) a fazer um trabalho. O texto, intitulado “A Alma”, de Vinícius, chamou a atenção pela seguinte frase: “A diferença entre o que julga e o que é julgado é que um fala, enquanto o outro sente.” Li essas palavras, fiquei pensativo. Segunda feira, Ingrid me pediu ajuda para fazer alguns trabalhos para a universidade. Novamente, o tema vinha à tona... Comecei a pensar: quantas vezes julgamos as pessoas sem saber, sem conhecer, sem sequer dar uma chance de explicação, sem sequer NOS dar uma chance para que essa pessoa se mostre como é? Sim, já fiz isso. Quem está lendo, mesmo que negue a Deus e o mundo e grite aos quatro ventos que jamais o fez, em seu íntimo sabe que alguma vez, mesmo que mantendo seu silêncio, julgou alguma pessoa de alguma forma provavelmente discriminatória, racista, precipitada.
Já sofri com isso, bastante recentemente. Na sociedade em que vivemos, onde o “material” conta mais que quem tu realmente é, já fui taxado de muitas coisas. As pessoas preferem te olhar, de cima a baixo, analisar tua roupa, tua forma de andar, teus medos a ter uma conversa e saber quem é, como é, o que pensa, o que está sentindo. Muitas vezes, palavras ditas podem machucar mais que uma surra. Pense que viu o seguinte: uma pessoa obesa. Isso é a primeira coisa que a destaca dos outros meros mortais. Após isso, começam as piadas. Algo natural do ser humano. Ultimamente, para sentir-se bem, parece que o teu próximo precisa se sentir excluído, mal tratado, com medo de ti. Mas ninguém pensa o simples: há um ser humano ali. Tem um coração batendo naquele peito, essa pessoa tem sentimentos, ela quer receber carinho, atenção, respeito. Quem não quer? Provavelmente já deve ter sido alvo de piadinhas imbecis anteriormente, já anda meio vacinada, mas em seu íntimo sempre vai ficar o sentimento, por menos que ela demonstre por estar acostumada com isso. Cada novo julgamento vai desgastando mais e mais. Repito, há uma pessoa com SENTIMENTOS ali. Não tentamos ver muitas vezes quem é, os problemas que pode ter em casa, no trabalho, os dilemas que passa. É mais simples taxar...
Digo tudo isso porque eu nunca julguei ninguém? Pelo contrário. Já julguei e ainda julgo pessoas, mas após alguns acontecimentos, comecei a refletir sobre isso. Repito algo que parece que ninguém pensa mais: as pessoas TÊM sentimentos. Julgar precipitadamente é algo que nos é ensinado para sobreviver, muitas vezes sem que percebamos. Nossa sociedade atual ensina a abominar o que é diferente, ensina a ridicularizar o que é estranho. “O mais forte sobrevive.” Mas pare para pensar como é SER julgado, taxado, desmerecido. Já fui vítima disso, mesmo tendo vitimado muitas pessoas antes, e digo: é a pior coisa ser julgado por ter menos dinheiro que alguém, por ter feito coisas em um momento de medo ou fraqueza e ser taxado peremptoriamente por isso. Julguei e fui julgado há meses atrás por uma pessoa que na época foi importantíssima. Meus medos e receios me taxaram culpado. Aprendizado, tudo é aprendizado.
Penso muito agora antes de julgar. Se julgo, retrocedo alguns passos antes da “sentença” e penso as diferentes facetas que pode haver. Somos seres complicados. Pode-se conhecer uma pessoa há anos e essa pessoa pode ainda te surpreender, para bem ou para mal. Converso mais, supero meus medos, receios e descubro pessoas maravilhosas onde antes, muitas apenas as julgavam e percebo que não havia mérito em seus julgamentos. Revi muitos de meus prévios julgamentos, e obriguei-me a sentir vergonha de pré-julgamentos que fiz, mesmo que esses não tivessem sido ditos. Aprendo a controlar mais meus ímpetos, para não machucar um coração que muitas vezes já está aflito, procurando liberdade, ajuda, gritando por socorro. Creiam, fez sentir-me muito melhor ajudar do que denegrir.
Recomendo fazer isso, não só com os amigos, mas com todos que puder. Como disse, não da boca pra fora, não para que os outros saibam. Para que tu mesmo saiba.

3 comentários:

Spellbinder disse...

Na verdade a primeira coisa que se destaca é a cor da pele e logo em seguida as dimensões corporais.
Como tu mesmo falou, todo mundo já fez isso, justamente porque é muito natural. Nunca vamos confiar em quem não conhecemos, e a primeira informação que chega a nós é a imagem. É impossível não associarmos imagens com lembranças, e dessas associações (mesmo involuntárias) começamos a imaginar os hábitos daquela pessoa.
O problema é quando falamos o que pensamos antes de conhecermos a pessoa realmente.

istangherlini disse...

O julgamento sempre estará presente, quando se tratam de imagens iniciais que temos de alguma pessoa. Porém, são nossas atitudes que farão valer o nosso julgamento, para ou bem ou para o mal. Não gostou da cara de alguém? Respeite. Você não conhece aquela pessoa de verdade. O que importa é respeitar, independente de quem seja. Se você tem um julgamento negativo de alguém por seus N motivos, nunca deixe de procurar ver o outro lado. Não apenas sentimentos existem dentro de alguém, mas uma história de vida com diversas características que desconhecemos. E que podem, muitas vezes, nos surpreender.

Ander disse...

Opa,

Legal os textos, a maneira como foram colocadas as ideias. Isso está faltando hoje em dia. No momento em que vivemos tudo é imposto artificialmente. Falta o natural, o simples, onde estao as coisas mais belas e inexplicaveis do universo. Se somos julgados por isso ou aquilo, nao importa. O que mais a sociedade gosta de fazer é: ver, preparar a lingua para dizer suas amargar palavras e colocar o ser abaixo daquilo que ele realmente é. Por isso deixe que falem, que julguem, nao tome apreço por besteiras de alguns insistem em aviltar por aí. O que vale é o que Eu Sou. Preste atencao que está em maiusculo. O mundo é um reflexo de nosso estado de consciencia, nada mais. Se te julgam, como se cometêsse-mos um crime, estao apenas usando sua natureza para isso. É de algumas pessoas o terrivel habito de falar avidamente de outras, queimando sua preciosa energia; para nada. É, as coisas estao assim: doentes de toda especie, andarilhos sem rumo, pedófilos, e outros que estao sentados em seus sofás, imaginando quando um trem atravessará pela porta da sala...
E eu é que sou louco, sou mesmo, pois os normais nao tem visoes diferentes e nao acordaram para a vida. Sao apenas maquinas no piloto automatico.

Continua com os posts.

Abraco
Anderson